- O combate ao uso do crack deve mesclar ações repressivas e preventivas para apresentar melhores resultados. Embora envolva tráfico de drogas, o problema precisa ser visto pelo prisma da saúde pública, disse a socióloga Juliana Barroso, subsecretária de Educação, Valorização e Prevenção da Secretaria de Estado de Segurança Pública do Rio (Seseg).
Uma das chaves para solucionar a questão da dependência química do crack, droga barata e de rápida adicção, é o treinamento dos agentes de segurança para atuar nas chamadas cracolândias. Para garantir esse objetivo, a Seseg iniciou no último dia 16 o Programa Crack, É Possível Vencer, que vai qualificar 200 policiais civis e militares e guardas municipais. Durante um mês, serão abordados assuntos sobre policiamento comunitário, redes de atenção e formas corretas de abordagem.
— O objetivo é ensinar a lidar com esses espaços onde há o uso do crack. Isso não é um problema [unicamente] de segurança pública, é mais ligado à saúde. É preciso saber como fazer uma abordagem adequada ao usuário e também desenvolver a prevenção.
Entre as iniciativas já consolidadas no campo da prevenção, ela destacou o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd), desenvolvido pela Polícia Militar e direcionado a crianças e adolescentes que cursam o ensino fundamental, e o Papo de Responsa, sob responsabilidade da Polícia Civil, que visa principalmente a adolescentes e jovens, incluindo universitários.
— Temos que dialogar com essas pessoas, chamar a atenção para os danos que o uso das drogas pode causar. A gente nunca trabalha sob a perspectiva de que é ilegal ou imoral. Se fossemos com esse diálogo para uma criança ou um adolescente, aquilo que é proibido pode acender maior curiosidade sobre as drogas.
Segundo ela, os balanços existentes indicam que a quase totalidade das crianças que já passaram pelo Proerd não tiveram contato com as drogas. O programa dura seis semanas, com a presença de um policial fardado em sala de aula, que conversa abertamente sobre os problemas provenientes do uso de drogas. Também são promovidos encontros com os pais dos alunos, sob a perspectiva da responsabilização.
— Durante os últimos 30 anos, se investiu muito na repressão e não se teve resultado que desse uma virada na área de segurança pública. Agora, estamos trilhando outro caminho, que utiliza a repressão mas também a prevenção. É mais demorado, os resultados vão surgir além deste governo, mas é o caminho que dá resultado comprovado.
Outro aspecto importante levantado pela socióloga é a integração entre os três níveis de governo — municipal, estadual e federal. O Programa Crack, É Possível Vencer é uma iniciativa do governo federal, mas a execução local é do governo do estado. E ambos precisam de ações de apoio da prefeitura, principalmente no acolhimento aos usuários da droga.
— A gente conseguiu avançar muito em nossa política de segurança pública graças a esse alinhamento, que é essencial para atingir os resultados.
Fonte: R7
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Combate ao crack precisa de repressão e prevenção para ser efetivo
Elizabeth Sussekind indaga: Que país é esse?
Realmente
as
fotos são contundentes. E olha que o nosso blog não mostra o cheiro.
Belo trabalho humanitário, lembrou-me os soldados da força
aliada, em 1945, entrando nos campos de concentração nazistas, já
abandonados.
A imagem tornou-se fundamental em nossa época. Mando esse link, a
respeito da
batalha travada nos EUA entre a democracia e os grupos que agridem os
direitos
humanos, pensando-se absolutamente poderosos, e eternos, e que depois
não
querem ser investigados. Tem a ver com a nossa realidade, com grupos
querendo
esconder ou obrigar o esquecimento de barbaridades cometidas. A
Constituição,
cujo prinicípio básico, primeiro, é o da igualdade de todos frente à
lei, é o
melhor meio de prevenção. De responsabilização. Só falta instalar seu
cumprimento. Eis o link: http://www.nytimes.com/2009/08/01/opinion/l01ghraib.html
É
impressionante como há muito mais controle da sociedade sobre as ações e
atividades do governo em alguns países. Nada perfeito, claro, mas bem melhor do
que por aqui. Na notícia do link abaixo vemos que um painel de três juizes
federais determinou que o Estado da Califórnia reduza 27% de sua população
prisional de 150 mil presos:menos 40 mil presos em dois anos. Isso porque inspeções
permanentemente feitas geraram julgamentos para interromper o desrespeito a
direitos dos presos, cujas decisões foram mal cumpridas, enroladas, sem que o
resultado fosse significativo. O motivo principal para a decisão é que NAS PRISÕES
DA CALIFÓRNIA MORRE UM PRESOS POR SEMANA por doença, e a superpopulação é a
principal causa, pois aumenta o contágio, reduz a atenção de funcionários, médicos,
etc. Vendo as imagens do mutirão carcerário da Polinter de Neves não há como
deixar de pensar: que país é esse?
http://www.nytimes.com/2009/08/05/us/05calif.html?_r=1&ref=usal.
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